Maurício Figueiredo

Maurício Figueiredo
Maurício Figueiredo

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11 de abril de 2025

A Europa do século XIX




    A Europa do século XIX foi um período de transformações profundas em diversas áreas — políticas, econômicas, sociais e culturais. Dá pra organizar os principais aspectos assim:


🔥 1. Revoluções e Conflitos Políticos

  • Revoluções Liberais e Nacionalistas: ondas de revoltas em 1820, 1830 e 1848, contra o absolutismo e em defesa de liberdade, constituições e identidade nacional.
  • Unificações Nacionais:
    • Alemanha (1871) sob liderança da Prússia.
    • Itália (1861-1870) liderada por figuras como Cavour e Garibaldi.
  • Queda do Antigo Regime: avanço do liberalismo e fim gradual do poder absoluto dos reis.


⚙️ 2. Revolução Industrial

  • Expansão da industrialização, iniciada na Inglaterra e depois espalhada por França, Alemanha, Itália etc.
  • Surgimento da classe operária e do proletariado urbano.
  • Urbanização acelerada, com crescimento desordenado das cidades e problemas sociais.


💡 3. Ideologias em disputa

  • Liberalismo: defesa das liberdades individuais, economia de mercado, Estado limitado.
  • Nacionalismo: busca por unificação ou independência de povos com mesma cultura/idioma.
  • Socialismo e Marxismo: críticas ao capitalismo, surgimento do pensamento socialista e das lutas operárias.
  • Conservadorismo: tentativa de manter a ordem tradicional (Igreja, monarquia, aristocracia).


📜 4. Congresso de Viena e Restauração

  • Pós-Napoleão (1815), as potências tentam restaurar a ordem absolutista e conter o avanço do liberalismo.
  • Criação da Santa Aliança (Áustria, Rússia, Prússia).


🌍 5. Imperialismo e Neocolonialismo

  • Na segunda metade do século, potências europeias disputam territórios na África e na Ásia (imperialismo).
  • Justificativas: "missão civilizatória", racismo científico, e interesses econômicos e estratégicos.


📚 6. Avanços culturais e científicos

  • Romantismo, Realismo, Naturalismo na arte e literatura.
  • Progresso em ciência e tecnologia: eletricidade, telégrafo, ferrovias, medicina moderna.
  • Aumento da alfabetização e da circulação de ideias.


🧭 Resumo da Europa no Século XIX


🏛️ 1. Transformações Políticas

  • Congresso de Viena (1815): tentativa de restaurar o absolutismo e conter o liberalismo.
  • Revoluções Liberais e Nacionalistas:
    • 1820, 1830 e 1848: contra o absolutismo, pela liberdade e nacionalismo.
  • Unificações:
    • 🇩🇪 Alemanha (1871) – liderada por Bismarck.
    • 🇮🇹 Itália (1861-1870) – liderada por Cavour e Garibaldi.


⚙️ 2. Revolução Industrial

  • Avanço da indústria além da Inglaterra: França, Alemanha, Bélgica...
  • Crescimento das cidades e da classe operária.
  • Problemas sociais: más condições de trabalho, favelas, exploração.


🧠 3. Ideologias em Conflito

Ideologia

Defendia...

Liberalismo

Liberdades civis, Estado limitado, economia de mercado

Nacionalismo

Unificação ou independência nacional

Socialismo

Justiça social, críticas ao capitalismo

Conservadorismo

Manutenção da ordem tradicional (rei, Igreja)



🌍 4. Imperialismo (Neocolonialismo)

  • 🇬🇧 🇫🇷 🇩🇪 🇮🇹 disputam colônias na África e Ásia.
  • Justificativas: “missão civilizatória”, racismo, estratégia.
  • Conferência de Berlim (1884-1885): divisão da África pelas potências.


📚 5. Avanços Culturais e Científicos

  • Movimentos artísticos:
    • 🎨 Romantismo emoção, nacionalismo.
    • 📖 Realismo/Naturalismo crítica social, vida real.
  • Ciência e tecnologia:
    • Vacinas, eletricidade, ferrovias, telégrafo.
  • Expansão da educação e da imprensa.



🕰️ Linha do Tempo – Europa no Século XIX


1815 – Congresso de Viena

🔹 Restauração das monarquias
🔹 Tentativa de conter o liberalismo e o nacionalismo
🔹 Criação da Santa Aliança (Rússia, Áustria, Prússia)


1820 – Primeira Onda de Revoluções Liberais

🔹 Início dos movimentos contra o absolutismo
🔹 Revoltas em Espanha, Portugal, Nápoles


1830 – Segunda Onda Revolucionária

🔹 Queda de Carlos X na França (Monarquia de Julho)
🔹 Independência da Bélgica
🔹 Agitação na Polônia e Itália


1848 – A Primavera dos Povos

🔹 Revoluções em quase toda a Europa
🔹 Participação das massas urbanas
🔹 Demandas sociais e políticas (liberdade, trabalho, voto)
🔹 Fracasso a curto prazo, mas ideias permaneceram vivas


1850-1870 – Unificações Nacionais

🔹 Itália unificada (processo de guerras e diplomacia)
🔹 Alemanha unificada (liderança da Prússia / Bismarck)
🔹 Fortalecimento do nacionalismo


Segunda metade do século – Revolução Industrial se expande

🔹 Alemanha, França, Bélgica se industrializam
🔹 Novas tecnologias: ferrovias, eletricidade, telégrafo
🔹 Crescimento das cidades e da classe operária


1870–1914 – Era do Imperialismo

🔹 Colonização da África e Ásia (Impérios europeus)
🔹 Disputa colonial acirrada entre potências
🔹 Conferência de Berlim (1884-85): repartição da África


10 de abril de 2025

Raios e trovões

Colégio Marista de Brasília

Ciências 1º. Trimestre

Maurício Figueiredo – 9º. F


     Raios e trovões envolvem dois tipos principais de ondas:

 Raios

    Os raios são descargas elétricas e estão associados principalmente a:

  • Ondas eletromagnéticas

    • Luz visível: o clarão que vemos.

    • Ondas de rádio: são emitidas pela descarga e podem ser captadas por antenas e aparelhos.

    • Infravermelho e ultravioleta também podem estar presentes.

Portanto, nos raios, temos ondas eletromagnéticas de vários comprimentos de onda.

🌩️ Trovões

    Os trovões são o som causado pela rápida expansão do ar aquecido pelo raio. Estão associados a:

  • Ondas mecânicas (do tipo longitudinal)

  • Ondas sonoras, que se propagam pelo ar e que ouvimos como o estrondo do trovão.

Resumindo:

  • Raios  Ondas eletromagnéticas (luz, rádio etc.)

  • Trovões  Ondas mecânicas (som)

💥 A conexão entre raio e trovão — tempo e espaço

Quando ocorre um raio, duas coisas acontecem quase ao mesmo tempo, mas a gente percebe cada uma de forma diferente por causa da forma como as ondas se propagam:

1. A descarga elétrica (raio)

O raio aquece o ar a mais de 30.000 °C em frações de segundo — mais quente que a superfície do Sol! Esse calor extremo expande violentamente o ar ao redor, gerando uma onda de choque. Essa expansão gera ondas sonoras, ou seja, o trovão.

2. Propagação das ondas

Tipo de onda    Velocidade aproximada     O que percebemos
Luz (raio)        ~300.000 km/s (no vácuo)        A gente vê primeiro
Som (trovão)        ~340 m/s (no ar)        A gente ouve depois

Essa diferença explica por que se ver o raio primeiro, e só depois de alguns segundos se escuta o trovão.

⏱️ Dá até pra calcular a distância do raio!

    Um truque legal: conte os segundos entre o raio e o trovão e divida por 3. Isso te dá a distância em quilômetros(aproximadamente).

Exemplo:

  • Se você vê o raio e ouve o trovão 9 segundos depois, o raio caiu a uns 3 km de distância.



9 de abril de 2025

Bioética: Inteligência Artificial e ética médica



Colégio Marista de Brasília

Ensino Religioso

 1º. Trimestre

Maurício Figueiredo – 9º. F



Nos últimos anos surgiu o conceito de Eletrônica Médica, ou de Saúde Eletrônica. Os profissionais dessa área são aqueles que criam equipamentos para solucionar problemas médicos, combinando o conhecimento de medicina e biologia com princípios e práticas de engenharia.

Explicação científica do dilema

O uso da Inteligência Artificial (IA) na medicina tem revolucionado o setor de saúde, proporcionando avanços em diagnósticos, tratamento e pesquisa. Contudo, levanta diversos dilemas bioéticos que envolvem princípios fundamentais como autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. Alguns dos principais desafios incluem:

  1. Autonomia do paciente e consentimento informado
    • Algoritmos de IA podem tomar decisões sem transparência suficiente para que os pacientes compreendam como foram geradas. Isso pode afetar a autonomia do paciente, que deve ter acesso a informações claras para tomar decisões sobre sua própria saúde.
  1. Responsabilidade e tomada de decisão
    • Se uma IA comete um erro no diagnóstico ou tratamento, quem deve ser responsabilizado? O desenvolvedor, o médico que usou a IA ou a instituição que a implementou? Ainda não existe regulamentação clara para a definição de responsabilidades.
  1. Substituição da Interação Humana
    • A automação de processos médicos pode reduzir a interação entre médicos e pacientes, o que pode impactar negativamente a humanização do atendimento.

Para mitigar esses desafios, é essencial que a implementação da IA na medicina seja acompanhada de regulamentações éticas e jurídicas, garantindo que a tecnologia beneficie a todos sem comprometer os direitos e a dignidade dos pacientes.

A perspectiva moral e religiosa sobre o uso da IA na medicina varia conforme diferentes tradições filosóficas e teológicas, mas em geral, enfatiza a dignidade humana, a compaixão e a responsabilidade ética. Aqui estão algumas abordagens relevantes:

1. Perspectiva Moral

  • Ética Deontológica (Kantiana): Enfatiza o respeito à dignidade e autonomia do paciente. O uso da IA deve garantir que os pacientes sejam tratados como fins em si mesmos e não apenas como meios para eficiência ou lucro.
  • Ética da Virtude (Aristotélica): Considera a prática médica como um exercício de virtudes como prudência, justiça e compaixão. A IA deve ser usada para aprimorar essas virtudes, em vez de substituir a relação humano-paciente.

2. Perspectiva Religiosa

  • Cristianismo: A valorização da vida e o princípio da caridade indicam que a IA deve ser usada para curar e aliviar o sofrimento, mas sem substituir o papel humano no cuidado. O Papa Francisco já alertou sobre a necessidade de garantir que a tecnologia respeite a dignidade humana e não crie novas formas de desigualdade.
  • Judaísmo: A tradição judaica valoriza a inovação tecnológica para salvar vidas ("pikuach nefesh"), mas também enfatiza a necessidade de responsabilidade moral e justiça na aplicação da IA na medicina.
  • Islamismo: A Sharia incentiva o uso da tecnologia para o bem-estar da humanidade, desde que não viole princípios como a justiça e o respeito à privacidade. A IA na medicina deve ser usada com transparência e ética.
  • Budismo: A compaixão e a harmonia são valores fundamentais. A IA deve ser aplicada de forma que reduza o sofrimento e promova o bem-estar, sem desumanizar o atendimento médico.


Conclusão

Independentemente da perspectiva adotada, há um consenso de que a IA deve ser usada de maneira ética, garantindo que sirva à humanidade sem comprometer princípios fundamentais de respeito, justiça e compaixão.


Bibliografia

Almeida, Flávia A. Inteligência artificial tem relação com a bioética?. Disponível em: https://diplomatique.org.br/inteligencia-artificial-tem-relacao-com-a-bioetica/ Acesso em: 02 de abril e 2025.

Araújo, Eratóstenes E. R. Inteligência Artificial e robôs destruindo e criando postos de trabalho. Disponível em: https://eratostenesaraujo.blogspot.com/2017/05/inteligencia-artificial-e-robos.html Acesso em: 02 de abril de 2025.

Inteligência Artificial: ética e regulamentações na saúde. Disponível em: https://pro.boehringer-ingelheim.com/br/newscenter/inteligencia-artificial-etica-e-regulamentacoes-na-saude Acesso em: 02 de abril de 2025.

ChatGPT. Acesso em 08 de abril de 2025.

2 de abril de 2025

Direitos Humanos e Desigualdades: Reflexões a partir de Persépolis

   Persépolis, de Marjane Satrapi, é uma obra autobiográfica que oferece uma reflexão profunda sobre direitos humanos e desigualdades no contexto da Revolução Islâmica no Irã. A partir da trajetória da protagonista, pode-se destacar, neste contexto (direitos humanos e desigualdades) os seguintes aspectos.

i) A repressão de direitos no contexto da Revolução Islâmica

A Revolução Islâmica de 1979 levou à instauração de um regime teocrático no Irã, resultando na restrição de diversas liberdades individuais. O livro mostra como a população perdeu direitos básicos, como liberdade de expressão, acesso a informações e participação política. Prisões arbitrárias, tortura e execuções sumárias de opositores ao regime são retratadas, evidenciando as violações dos direitos humanos. A história de Marjane ilustra como essa repressão afetou não apenas dissidentes políticos, mas também cidadãos comuns, que passaram a viver sob vigilância constante.


ii) A condição das mulheres no Irã e sua luta por igualdade

A narrativa também enfatiza a desigualdade de gênero sob o regime islâmico. As mulheres foram obrigadas a usar o véu, perderam direitos legais e passaram a enfrentar severas restrições em sua autonomia. Marjane, desde a infância, questiona essas imposições e luta para manter sua identidade e liberdade. O livro mostra como as mulheres resistem, tanto de maneira sutil, como desafiando regras de vestimenta, quanto por meio de mobilizações e atos de desobediência civil. A experiência de Marjane evidencia como a opressão de gênero afeta diversos aspectos da vida das mulheres, desde sua educação até suas relações pessoais.


iii) Como a história de Marjane reflete dilemas universais de direitos humanos

Apesar de ser uma história situada no Irã, Persépolis aborda dilemas universais de direitos humanos, como a repressão política, a perda da liberdade individual e o impacto da guerra sobre a vida dos cidadãos. Além disso, a trajetória de Marjane como exilada reflete os desafios dos refugiados e imigrantes, que muitas vezes enfrentam discriminação e dificuldades de adaptação. Sua luta por autonomia e dignidade é um exemplo da resistência contra injustiças e do desejo humano por liberdade.


 2. Conclusão

Em resumo, Persépolis é uma obra que nos leva a refletir sobre como regimes autoritários afetam direitos fundamentais, especialmente os das mulheres, e como questões de liberdade, identidade e resistência transcendem fronteiras, tornando-se preocupações globais.

24 de novembro de 2024

20 FATOS CURIOSOS SOBRE POVOS DA ÁFRICA

 


1. Diversidade genética: Apresenta a maior diversidade genética do mundo porque a humanidade surgiu na África

2. Origem humana: De acordo com estudos antropológicos, todos os humanos modernos descendem de uma pequena população de Homo sapiens que viveu na África há cerca de 200.000 anos.

3. Língua mais falada na África: A suaíli é uma das línguas mais faladas na África, com mais de 100 milhões de falantes.

4. Cultura riquíssima: África tem milhares de grupos étnicos e línguas, o que a torna, culturalmente, um dos mais diversos continentes.

5. Civilizações antigas: Civilizações antigas africanas como Egito, Núbia e Mali foram avançadas em áreas como astronomia, matemática e arquitetura.

6. Primeiros reis e rainhas: África teve algumas das primeiras monarquias da história, como os faraós do Egito e os reis da Etiópia.

7. Contribuições musicais: A música africana influenciou grandemente os gêneros modernos como jazz, blues, rock, hip hop e reggae.

8. Atletas em destaque: Atletas de ascendência africana se destacaram em inúmeros esportes, destacando-se no atletismo, basquete, futebol e boxe.

9. Líderes dos Direitos Civis: Figuras como Martin Luther King Jr., Nelson Mandela e Malcolm X desempenharam papéis cruciais nos movimentos pelos direitos civis e pela igualdade.

10. Inovações científicas: Cientistas e inventores africanos fizeram contribuições significativas em diversos campos. Por exemplo, George Washington Carver desenvolveu centenas de produtos derivados de amendoim.

11. Literatura: Autores negros como Chinua Achebe, Toni Morrison e Chimamanda Ngozi Adichie deixaram uma marca indelével na literatura mundial.

12. Primeira mulher médica: Rebecca Lee Crumpler foi a primeira mulher afro-americana a obter um diploma de médico nos EUA em 1864.

13. Moda e estilo: Moda e estilo afro influenciaram globalmente com estilos distintivos como o dashiki e o uso de tranças e dreadlocks.

14. Arte e escultura: As culturas africanas têm tradições artísticas ricas em escultura, têxteis e pintura, com influências visíveis na arte moderna.

15. Alimentos básicos: Muitos alimentos básicos consumidos em todo o mundo, como café e cacau, têm origem em África.

16. Rituais e festivais: Há inúmeros rituais e festivais africanos que celebram a história, a cultura e as tradições, como o Festival de Máscaras em Burkina Faso.

17. Educação e sabedoria: Centros de aprendizagem antigos como a Universidade de Timbuktu foram reconhecidos pelo seu alto nível educacional na Idade Média.

18. Religiões: África é o lar de muitas religiões tradicionais, além de ter uma presença significativa de cristianismo e islã.

19. Medicina tradicional: As práticas de medicina tradicional africana são usadas há séculos e ainda são relevantes em muitas comunidades.

20. Resiliência histórica: Apesar de séculos de escravidão, colonialismo e discriminação, a diáspora africana demonstrou uma notável resiliência e capacidade de recuperação.

17 de novembro de 2024

O nascimento da República

No Brasil do século XIX, as disputas políticas envolviam, basicamente, liberais e conservadores que, no período regencial, organizaram-se no Partido Progressista e no Partido Regressista, respectivamente — a partir do Segundo Reinado, adotaram os nomes de Partido Liberal e Partido Conservador. Em geral, os liberais, ou luzias, eram profissionais liberais e agricultores voltados ao mercado interno, e os conservadores, ou saquaremas, pertenciam à burocracia estatal e estavam ligados ao comércio e à produção agroexportadora. Enquanto os liberais defendiam mais autonomia para chefes locais, os conservadores apoiavam a centralização do poder. Apesar das divergências, os dois grupos julgavam ser importante a preservação da ordem social e representavam os interesses da elite escravista e proprietária de terras.

A ascensão de D. Pedro II ao trono representou a retomada do controle político por parte da monarquia. Por meio do Poder Moderadoro rei interferia no jogo do poder entre os dois principais partidos, impedindo que algum deles se impusesse. Cooptando chefes políticos, distribuindo cargos e títulos de nobreza (como os de barão, conde, duque) e intervindo diretamente na composição dos ministérios e do Senado, D. Pedro II assegurava a estabilidade política necessária para a preservação dos privilégios das elites nacionais e a manutenção da unidade política e territorial do Brasil.

D. Pedro II, de Henrique Fleiuss (1824-1882), representado 

como o rei redentor, acima das divergências políticas, 

capaz de assegurar a moderação e o equilíbrio para a nação.


A agitação política que caracterizou o período regencial prosseguiu nos primeiros anos do reinado de D. Pedro II. O Partido Liberal ganhou um gabinete, com seus representantes, em retribuição por seu apoio na questão da maioridade, e saiu vitorioso no pleito para a Câmara dos Deputados, em 1840. Contudo, os liberais foram acusados de fraude e coação, e as eleições ficaram conhecidas como “eleições do cacete”. Diante das denúncias e da pressão dos conservadores, no ano seguinte, D. Pedro II destituiu o gabinete de maioria liberal e o substituiu por outro, de perfil conservador.


Em 1842, atendendo às exigências do novo gabinete, o monarca anulou as eleições para o Legislativo, provocando a reação dos liberais. Nas províncias de Minas e São Paulo, eclodiram revoltas contra a centralização do poder. A sublevação teve início na cidade de Sorocaba, em São Paulo, motivada pela substituição do Presidente da Província, Coronel Rafael Tobias de Aguiar, por José da Costa Carvalho, o Barão de Monte Alegre. A revolta em Minas eclodiu alguns meses depois, liderada por Teófilo Ottoni e com adesão da Guarda Nacional. Os dois focos foram sufocados pelas tropas imperiais, mas seus líderes acabaram anistiados em 1844. O oficial responsável por debelar os movimentos liberais já havia liderado a repressão à Balaiada: o Barão de Caxias. Anos mais tarde, ele desempenharia papel central na Guerra do Paraguai.


Enquanto o crescimento da economia cafeeira beneficiava as províncias do Sudeste, Pernambuco sofria com a diminuição das exportações de açúcar e de algodão. Ao mesmo tempo, a população via o custo de vida aumentar em razão dos privilégios concedidos aos comerciantes portugueses, que monopolizavam a venda de víveres e outros produtos na região. Por essa razão, manifestações de rua com agressões a portugueses e estrangeiros, assim como saques a armazéns, passaram a ser comuns em Recife. Na esfera política, o poder concentrava-se nas mãos de poucas famílias, que defendiam seus interesses e davam as costas aos demais habitantes da província.


Para reagir a essa situação, um grupo de liberais radicais, organizado em torno do jornal Diário Novo, fundou em 1842 o Partido da Praia — os liberais eram chamados de “praieiros” em referência à Rua da Praia, no Recife, onde se situava a sede do jornal. Em 1848, após D. Pedro II nomear para presidente da província um conservador, os praieiros reagiram contra o poder central. Armados, tomaram Olinda e se espalharam para outras regiões de Pernambuco, recebendo a adesão da população mais pobre. Os revolucionários defendiam a substituição da monarquia pela república, o fim dos privilégios comerciais dos portugueses, a liberdade de imprensa e o voto universal. Mais uma vez, porém, o poder central enviou tropas para combater os sublevados, que foram derrotados no ano seguinte.

Charge, intitulada Le roi s’amuse (“o rei se diverte”, em francês), 

foi desenhada por Cândido Faria e publicada no jornal O Mequetrefe, 

no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1878.


Obviamente o Cândido Faria utilizou a ilustração anterior para retratar agora que o D. Pedro II agora moderava a preservação do regime monárquico e e aqueles que desejavam implantar a República. No centro observa-se também o indicativo de uso de armas, tendo em vista as revoluções já citadas ( Revolução dos Liberais, 1842 e Revolução Praieira, 1848) e as que estavam por vir.


A partir dos anos 1850, a Monarquia perdeu gradualmente o apoio político. A economia mundial se transformava, a cafeicultura era sucedida pela urbanização e pela industrialização, a Guerra do Paraguai provocava mudanças no Exército e na sociedade, novos grupos sociais se formavam e tinham interesses divergentes das elites agrárias. Na década de 1880, só o Brasil em toda a América ainda era escravocrata e monarquista — na época, ganhou até o apelido de “flor

exótica do continente”. A manutenção do regime monárquico já não interessava às novas elites que se projetavam no cenário político-econômico nacional.


Ideias e projetos republicanos circulavam pelo Brasil há muitos anos, desde o fim do período colonial. Estiveram nos planos dos líderes da Inconfidência Mineira, da Conjuração Baiana, da Confederação do Equador, entre outros movimentos rebeldes que eclodiram no Brasil entre o fim do século XVIII e a primeira metade do século seguinte.


No entanto, foi somente na segunda metade do século XIX que a ideia de fundar uma República no Brasil começou a ganhar corpo e angariar mais adeptos, inclusive nas províncias de Rio de Janeiro e São Paulo.


Em 1870, ano em que terminava a Guerra do Paraguai, políticos liberais identificados com a luta abolicionista começaram a organizar um movimento em defesa da substituição do regime monárquico pelo republicano. Sob a liderança de nomes como Quintino Bocaiúva e Silva Jardim, esses liberais fundaram no Rio de Janeiro o jornal A República, onde publicaram o Manifesto Republicano, defendendo, entre outras coisas, maior autonomia para as províncias, o fim dos cargos vitalícios no Senado e o Estado laico. A partir de então, diversos clubes republicanos se espalharam pelo país, especialmente pela região Sudeste. Em 1873, era fundado o Partido Republicano Paulista, na cidade de Itu, próspera região de produção cafeeira.


Os últimos anos da década de 1880 evidenciaram a incapacidade de da Monarquia dialogar com os novos agentes sociais que emergiam no cenário político brasileiro e buscavam meios de ver atendidas suas demandas. As elites agrárias ligadas à cafeicultura pressionavam por mais autonomia para as províncias, para que pudessem interagir de maneira independente com o mercado internacional. Os militares, por sua vez, ao lado das camadas médias urbanas, com quem se identificavam, ansiavam por maior protagonismo político. Enquanto isso, as antigas bases de apoio do governo derretiam: com a difusão do Positivismo, crescia o secularismo, reduzindo a influência da Igreja. Os grandes proprietários do Nordeste, irritados com a assinatura da Lei Áurea, retiraram seu apoio à Monarquia, e muitos passaram a integrar as fileiras republicanas. Além disso, uma crise econômica decorrente dos gastos com a Guerra do Paraguai fazia aprofundar a insatisfação de vários setores da sociedade.


Em 15 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro, uma conspiração militar depôs o imperador D. Pedro II e proclamou a República. Enfraquecido politicamente, o imperador deposto foi incapaz de organizar qualquer reação. Ele e sua família, obrigados a deixarem o Brasil, partiram para Paris. D. Pedro II morreu no exílio dois anos depois.


PS.: Resumo produzido como atividade da disciplina História.

Colégio Marista de Brasília - Ensino Fundamental, 8. Ano